DEPRESSÃO

Vivemos em um mundo perturbado e conturbado, e diante de discursos democráticos encontramos um sujeito desamparado no cerne da liberdade, ou seria libertinagem?

Essa é uma questão que necessita de reflexão. Como ponto de partida podemos pensar no mundo globalizado, virtualizado, alienado a um discurso democrático onde nossos instrumentos interpretativos ficam aquém da agudeza e rapidez dos acontecimentos. Vivemos um mal estar na atualidade, tendo nessa empreitada a problemática da subjetividade.

No mundo moderno a Depressão vem como uma forma de lidar com o conflito do sujeito diante a contemporaneidade. O deprimido é o protótipo do sujeito contemporâneo. O sofrimento psíquico manifesta-se atualmente sob a forma da depressão atingindo no corpo e na alma por essa estranha síndrome em que se misturam a tristeza e apatia, a busca da identidade e o culto de si mesmo.  Antes de rejeitar todos os tratamentos, ele busca desesperadamente vencer o vazio de seu desejo, sem se dar tempo de refletir sobre a origem de sua tristeza. Por esse motivo precisamos pensar com urgência, os fundamentos de nossa leitura da subjetividade, considerando os novos desafios que surgem. Temos que pensar nos destinos do desejo na atualidade, já que esses destinos nos permitem captar o que se passa nas subjetividades. E para compreendermos essa questão é importante analisarmos o conceito de Depressão.

O termo depressão possui vários significados e usos. Para se entender a depressão é importante fazer- se a distinção entre o uso do termo para designar uma doença e o seu uso leigo. Utiliza-se corriqueiramente o termo depressão como sinônimo de tristeza, mal-estar, mau humor e períodos de desânimo. “É comum “ouvirmos alguém dizer “hoje estou deprimido”, ou” tal fato me causa depressão”, ou ainda “ esta situação é deprimente”. Nesses casos, depressão é utilizada para definir uma situação triste. A tristeza é uma emoção humana normal, esperada em determinadas situações da vida de qualquer pessoa. A tristeza é dos sentimentos humanos o mais doloroso. Todos nós tomamos contato com ela em algum momento de nossas vidas. A tristeza passageira, a “fossa” ou “baixo-astral”, o “estar down” fazem parte da vida, e são superados após algum tempo. O luto, após a perda de um ente querido, manifesta-se por um sentimento de tristeza e vazio e também é superado com o correr do tempo.

Devem-se distinguir a tristeza e o luto normais da depressão.  A depressão se caracteriza por uma tristeza profunda e duradoura, além de outros sintomas e que dispõe hoje de tratamentos modernos para alívio do sofrimento que acarreta.

A depressão é uma doença bastante comum. A cada ano, uma em cada vinte pessoas apresenta depressão. As chances de alguém ter uma depressão ao longo da vida são de cerca de 15%. Ela se manifesta mais freqüentemente no adulto, embora possa ocorrer em qualquer faixa de idade, da criança ao idoso. É mais freqüente nas mulheres do que nos homens.

Na medicina, utiliza-se “depressão” para designar uma doença com características clínicas e tratamento específico. De forma geral, considera-se que um indivíduo portador de depressão quando apresenta tristeza profunda, desânimo e diminuição importante de seus interesses e atividades, de forma contínua por, no mínimo, duas semanas. Encontram-se ainda alterações no apetite, no sono, dores e mal-estar físico. Esses sintomas estão presentes na maior parte do tempo e levam a problemas sociais e familiares, com importante impacto negativo na qualidade de vida.

A causa da depressão não é conhecida, sabe-se que vários fatores biológicos e psicológicos podem contribuir para seu aparecimento. Em algumas pessoas a hereditariedade tem um peso importante, outros parentes também apresentam depressão. Com muita freqüência a depressão começa após alguma situação de estresse ou conflito e depois persiste, mesmo após a superação da dificuldade. As pesquisas mostram que na depressão há um desequilíbrio químico no cérebro, com alterações de neurotransmissores (substâncias que fazem a comunicação entre as células nervosas) principalmente da noradrenalina e da serotonina.

A pessoa com depressão diante de uma tristeza profunda e duradoura apresenta comprometimento em seu comportamento através de uma perda do interesse ou prazer em atividades que antes eram apreciadas, tem uma sensação de vazio, falta de energia, apatia, desânimo, falta de vontade para realizar tarefas, perda da esperança. Também tem dificuldade para se concentrar, não dorme bem, tem perda do apetite, apresentam ansiedade e queixas físicas vagas (desconforto gástrico, dor de cabeça).

A pessoa deprimida tem uma perda do apetite significante decorrente à falta de energia e desânimo. Podemos pensar também que transtornos alimentares como anorexia e bulimia podem favorecer a episódios depressivos.

A pessoa deprimida normalmente tem pensamentos negativos, pessimistas, de culpa ou auto-desvalorização. Em casos mais graves podem ocorrer idéias de morte e suicídio, havendo até pessoas que tentam o suicídio. A depressão é freqüentemente uma doença recorrente, a pessoa tem episódios de depressão que se repetem de tempos em tempos.

 É importante ressaltar que embora a ansiedade e o estresse sejam doenças relacionadas, elas não são a mesma coisa. A ansiedade é uma sensação derivada de momentos de preocupação, tensão e apreensão, sentida como antecipação a problemas. Quando esta sensação é experimentada em momentos estressantes, em que as pessoas se vêem frente a situações difíceis e decisões importantes, é considerada normal.

Mas a ansiedade passa a ser considerada um transtorno quando o indivíduo a experimenta de maneira exagerada, relacionada a preocupações excessivas e não realistas com situações que a maioria das outras pessoas enfrentaria com pouca dificuldade. Este transtorno costuma ser duradouro e crônico, ou seja, o paciente sofre com o estado de ansiedade elevado durante anos, com pequenos períodos de melhora.

Os sintomas do stress podem variar de pessoa para pessoa.  Apresenta-se na forma de sintomas psíquicos como: irritabilidade, redução da concentração e memória, Insônia, isolamento, desânimo, apatia. Já os sintomas do stress de ordem física incluem: cansaço, dores pelo corpo, principalmente dores de cabeça, tensão muscular, palpitações, queda de cabelo, azia, dentre outros.

Os sintomas do stress muitas vezes podem ser confundidos com depressão, ansiedade ou outras doenças. Por esse motivo é importante uma avaliação médica adequada.

O tratamento da depressão se faz atualmente com a combinação dos medicamentos antidepressivo com a psicoterapia. Esses medicamentos permitem uma recuperação gradual da depressão (em geral em algumas semanas) além de proteger a pessoa de novas crises depressivas. Por isso muitas pessoas precisam tomá-los por longos períodos de tempo, às vezes por toda a vida. Como os medicamentos demoram algum tempo para agir, é importante não desanimar; nesse período o apoio e a compreensão dos familiares são fundamentais.  A psicoterapia concomitante ao uso de medicamentos permite que o tratamento de depressão seja mais efetivo. A razão para a utilização das duas formas de tratamento está na sua complementaridade. A depressão, qualquer que seja sua origem, acarreta na pessoa deprimida uma serie de alterações em suas relações com as pessoas que a cercam, em suas atividades e fundamentalmente, na forma de expressão afetiva que possui. A dinâmica de suas emoções encontra-se prejudicada. É nesses aspectos que a psicoterapia pode auxiliá-lo. Leva a pessoa a reflexões sobre o funcionamento dinâmico de suas emoções, possibilitando assim a reconstituição de seu modo de ser, que se encontra circunstancialmente alterado.

É muito importante que as pessoas saibam perceber a depressão para poder procurar ajuda especializada e tratamento. A pessoa sente uma tristeza intensa, que não consegue vencer. Ela pode achar que isso é uma “fraqueza de caráter” e tem vergonha de pedir ajuda, ou então não sabe que se trata de uma doença como outra qualquer, passível de tratamento com grandes chances de sucesso. Nessa situação é muito importante que os familiares ou amigos próximos tomem a decisão de levá-la ao médico, seja o clínico ou médico da família, seja o psiquiatra. Este fará uma avaliação minuciosa do quadro, orientando na realização de eventuais exames laboratoriais, bem como no tratamento.

Ao analisarmos o conceito de Depressão no mundo moderno concluímos que esse sintoma vem como uma forma de lidar com o conflito do sujeito diante a contemporaneidade.

O indivíduo depressivo sofre ainda mais com as liberdades conquistadas por já não saber como utilizá-las. No cerne desse dispositivo, cada um reivindica sua singularidade, recusando-se a se identificar com as imagens da universalidade, sem conseguir afirmar sua verdadeira diferença.

A depressão na atualidade é a herança da subjetividade. Esse é o preço que se paga para evitar as dores do viver.

 

 

Rosivania Barbosa Rodrigues- CRP 06/7730

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