1

Síndrome de Peter Pan

Nos anos 80 o psicólogo americano Dan Kiley lançou o livro “A Síndrome de Peter Pan” e foi aí que a essa expressão se popularizou. O termo é uma alusão clara ao Peter Pan da literatura inglesa, do século 19, um menino que não queria crescer e optava por morar para sempre na terra do nunca.

Atualmente, a síndrome de Peter Pan está assustando muitos pais e jovens, e um dos maiores motivos para que o jovem adulto não queira crescer e ter responsabilidades; é a insegurança.

Essa insegurança afeta a geração contemporânea, que é composta por jovens na faixa etária de 25 a 34 anos que, mesmo sendo independentes financeiramente, optam por continuar morando na casa dos pais, surgindo à geração “Canguru”. A palavra canguru é uma metáfora perfeita, já que faz alusão direta ao animal mamífero que guarda seus filhotes em uma bolsa localizada em seu ventre até ele poder ser independente. No caso da geração canguru, essa independência não acontece de forma natural, porque existem fatores tanto dos pais como dos filhos que mantem uma relação de dependência.

A mídia prega uma falsa promessa que ser jovem é ser feliz. Envelhecer no, mundo contemporâneo é algo assustador, ninguém quer envelhecer, ninguém quer sair do palco. Pais e filhos entram em um jogo de competição: quem tem mais sucesso com as mulheres, quem tem o bumbum mais arrebitado e, etc, o que dá vazão para uma relação confusa, onde: “quem é quem?”, aqui, os pais estão se pregando uma peça quando saem do seu papel com uma pretensão de serem coleguinhas dos filhos. Os jovens precisam de adultos fortes, capazes de atitudes que favoreçam a um enfrentamento. Do contrário, o que sobra para os adolescentes é um profundo sentimento de decepção, pois, passaram a vida toda esperando “crescer” e, quando crescem, se perguntam: “Esperei crescer, para isso”? Para ser igual a vocês? “É melhor continuar sendo criança e optar a morar para sempre na terra do nunca.”

Essa “terra do nunca”, nunca irá proporcionar ao jovem o enfrentamento de situações novas, a conquista por si só, a busca de realizações e evidência da afirmação das suas próprias potencialidades, a segurança de que se é capaz de conquistar a felicidade pelas suas próprias escolhas. Mas, para que viver tudo isso, se vivemos o fim das ideologias, não há conflito de gerações, não há contra o que se rebelar, pois, vivem na comodidade de um ambiente que proporciona tudo de forma mais fácil, mais prático, tudo é acessível de forma imediata, pede-se pizza por telefone, escolhe-se filme pela internet, navega-se pela internet e lá encontra-se tudo. Sair de Casa? Pra quê?

 

Esta aí, um dos problemas relacionados à adolescência tardia, e estender necessariamente a idade cronológica, não vai resolver a dificuldade de conquistar a independência com autonomia.

 

Nesse momento, os pais têm que auxiliar seus filhos, tendo uma conversa franca sobre o que está acontecendo, quais os motivos e fatores que favorecem o desejo de continuar na casa dos pais e até mesmo sob a dependência dos mesmos. Uma consequência importante é a insegurança que essas pessoas desenvolvem principalmente nas relações afetivas, pois, filhos inseguros são frutos de pais inseguros. Valorizo muito a questão que temos que criar os filhos para o mundo, lapidá-los como um navio, e como tal , chega o momento de lança-los ao mar para que possam seguir seu destino. O filho não pode ser propriedade dos pais, pois em alguma hora ele vai achar que não precisará mais crescer, e, aí é que vem “o problema”.

 

Rosivania B. Rodrigues

Psicóloga Clínica

(15) 98161-4197