mulher descontrolada

Você está ficando louco?

Vamos falar da Lissofobia (medo de enlouquecer), um dos mais poderosos sintomas das contemporâneas psicopatologias do inicio do milênio.

Dada à subjetividade do que o conceito de “loucura” provoca, o psicanalista Savaglia salienta a nosologia da Psicanálise, que divide os seres humanos em neuróticos e psicóticos. Nessa abordagem o “louco” seria aquele individuo portador de lesão nos tecidos cerebrais que dariam origem às psicoses, como a esquizofrenia ou a paranoia.

A ciência ainda não pode apontar com precisão como se dá a gênese dessas doenças, porém, sabe-se hoje que é uma liberação exagerada da dopamina pelo cérebro causando o start às crises agudas.

Segundo ainda a psicanálise, as neuroses, entre elas a lissofobia, seria a proteção contra a perda do controle total, o que funcionaria como um fusível que evitaria que o sistema elétrico de uma casa (no caso nosso cérebro) entrasse em colapso.

Essa sensação de estar ficando louco é na verdade a liberação exagerada de um hormônio chamado cortisol, responsável por nos deixar alerta contra algo que põe nossa integridade em risco. Junte-se a isso a incapacidade do cérebro de dar um significado ao evento, ao contratar a falta de um objeto real a ser temido. A este desconforto causado pelo estranho evento psíquico chamamos de crise de ansiedade ou de crise de angustia.

Na visão da psicanálise, ainda que inconscientemente afetos se acumulem e sejam os responsáveis pelo aparecimento da ansiedade, nosso computador, que fica entre as nossas orelhas, não teria como acessar essa parte do HD, restando à pessoa viver o processo sem conseguir dar uma explicação, ou um sentido ao fenômeno. Isso explica as pavorosas angustias provenientes de crise de ansiedade, inclusive a falsa sensação de estar “pirando”.

Devido à arquitetura do nosso cérebro capaz de criar mais perguntas que respostas, a falta de sentido é de longe o maior gerador de ansiedade que um ser humano pode vivenciar, seja na busca de um macro ou de um micro significado, isto é desde atribuir uma lógica para a própria existência.
O processo é reforçado ainda por uma sociedade que valoriza exageradamente a busca do maior numero de estímulos em forma de informações, isso gera nos indivíduos uma posição de escolhas num menor tempo possível e não raras vezes mal temos tempo de significar ou dar a elas um real sentido. Todas as escolhas que fazemos por mais insignificante que possa parecer, causa estresse.

Modernos psicofármacos tem se mostrado eficientes em conter os sintomas, que tendem a ser retroalimentados pela própria ansiedade com que os pensamentos tentam dar, sem sucesso, um sentido a essas crises. Isto é quanto mais eu tento desvendar como funciona o processo da ansiedade, mais eu não encontro respostas, o que, por sua vez, alimenta cada vez mais o desconforto.

Revista Psique & Ciencia. Mais informação: andreapsicologa@uol.com.br